Publicado em 26 de julho de 2026
Falta de ar na DPOC: como a respiração com lábios franzidos pode ajudar você a caminhar com mais controle Se você tem DPOC e sente que “o ar não sai” quando caminha, sobe uma rampa ou faz tarefas simples, saiba: essa sensação é real e tem explicação. Na DPOC, as vias aéreas ficam mais estreitas e perdem parte da elasticidade; com isso, o ar entra, mas pode ter dificuldade para sair completamente. Quando a próxima inspiração começa antes de o pulmão esvaziar bem, ocorre o chamado aprisionamento de ar ou hiperinsuflação dinâmica. O diafragma fica em uma posição menos eficiente, os músculos respiratórios trabalham mais e o cérebro interpreta esse esforço como falta de ar. A respiração com lábios franzidos — inspirar suavemente e soltar o ar devagar com os lábios semicerrados, como se fosse apagar uma vela sem apagá-la — cria uma pequena resistência na saída do ar, prolonga a expiração e pode ajudar a manter as vias aéreas abertas por mais tempo. Em algumas pessoas, isso favorece um esvaziamento pulmonar melhor, reduz a respiração rápida e curta e dá mais sensação de controle durante o esforço. O que a Ciência Comprova? A expiração lenta com lábios semicerrados pode ajudar a manter as vias aéreas abertas por mais tempo e reduzir o aprisionamento de ar. A melhora da falta de ar e da caminhada pode variar de pessoa para pessoa. Estudos recentes mostram que a respiração com lábios franzidos na DPOC tem efeito fisiológico bastante consistente sobre a ventilação: em geral, reduz a frequência respiratória, favorece um padrão mais lento e profundo e pode aumentar o volume de ar movimentado a cada respiração. Já os efeitos sobre falta de ar percebida e distância caminhada são mais variáveis: muitos pacientes melhoram, mas nem todos respondem da mesma forma. Ventilação mais eficiente: revisões e meta-análises indicam que a técnica reduz a frequência respiratória e a ventilação-minuto durante o exercício, além de aumentar o volume corrente em alguns estudos (Mayer et al., 2017; Ubolnuar et al., 2019; Roberts et al., 2009). Isso combina com a ideia de uma respiração menos “curta e acelerada”. Mecanismo plausível: estudos fisiológicos mostram que a expiração mais prolongada e o padrão respiratório mais lento podem ajudar no esvaziamento pulmonar e na redução do aprisionamento de ar em parte dos pacientes (Bianchi et al., 2004; Spahija et al., 2005; De Araujo et al., 2015). A resposta, porém, depende da mecânica respiratória individual. Falta de ar: melhora possível, mas não garantida: vários estudos clínicos relatam redução de dispneia com a técnica isolada ou combinada com outras estratégias, como posicionamento e respiração diafragmática (Nield et al., 2007; Mogera & Sa, 2018; Mohamed, 2019; Maharem et al., 2021). Ainda assim, as revisões apontam resultados heterogêneos. Caminhada e exercício: benefício seletivo: uma meta-análise sobre uso agudo durante exercício não encontrou ganho robusto na distância do teste de caminhada de 6 minutos (Mayer et al., 2017). Por outro lado, em pacientes com DPOC estável que não usavam a técnica espontaneamente, Bhatt et al. (2013) observaram aumento de cerca de 35 metros na distância caminhada; e a combinação de respiração com lábios franzidos e respiração diafragmática mostrou ganho médio de 29,09 metros no 6MWT em meta-análise (Yang et al., 2020). Nem todo mundo responde igual: a evidência sugere que pacientes mais sintomáticos, com maior limitação ventilatória ou pior desempenho inicial podem ter mais chance de perceber benefício, mas ainda faltam estudos longos e padronizados para definir melhor quem responde melhor e em qual contexto (Garrod et al., 2005; Roberts et al., 2009; Cabral et al., 2015). Dicas Práticas Comece a técnica antes da falta de ar aumentar: inspire com calma e solte o ar devagar pelos lábios semicerrados, sem prender a respiração. Use a técnica antes da falta de ar “disparar”: experimente iniciar a respiração com lábios franzidos no começo da caminhada, em subidas leves ou durante tarefas que costumam causar cansaço. Solte o ar mais devagar do que inspira: inspire de forma tranquila, preferencialmente pelo nariz se for confortável, e expire pela boca com os lábios semicerrados, sem forçar. Evite prender o ar: o objetivo não é fazer força, e sim criar uma saída de ar controlada, longa e suave. Combine com pausas inteligentes: se a falta de ar aumentar, pare, apoie os braços se isso ajudar, incline levemente o tronco à frente e retome a respiração lenta até recuperar o controle. Treine com orientação: a técnica parece simples, mas a forma correta, o momento de usar e a combinação com exercícios de caminhada ou respiração diafragmática devem ser ajustados ao seu caso. Consulte seu Fisioterapeuta para aprender com segurança. Quer aprender estratégias simples para respirar melhor, caminhar com mais confiança e viver com mais autonomia? Siga @revalidatie_londrina e acompanhe o Reva + para receber orientações de reabilitação respiratória explicadas de forma clara e prática. 📚 Referências Científicas Utilizadas: M., Junita, I. M., Zulfikar, T., Yusuf, N., Azhary, M., & Salim, H. M. (2022). The effect of pursed-lips breathing and diaphragm exercises on the quality of life of COPD patient assessed by six-minutes walk test. Bali Medical Journal. https://doi.org/10.15562/bmj.v11i3.3474 [Link do artigo]Abhirami, M., & Santha, N. J. C. (2020). EFFECTIVENESS OF PURSED LIP BREATHING EXERCISE ON DYSPNOEA AMONG CHRONIC OBSTRUCTIVE PULMONARY DISEASE (COPD) PATIENTS. 21-27. https://doi.org/10.47211/idcij.2020.v07i03.006 [Link do artigo]Arifuddin, A., Rayasari, F., Anggraini, D., & Jumaiyah, W. (2026). Effect of orthopneic position and pursed-lip breathing on dyspnea in patients with chronic obstructive pulmonary disease. Lentera Perawat. https://doi.org/10.52235/lp.v7i1.695 [Link do artigo]Barros, M. K. F. (2015). Efeito da respiração fresno labial sobre volumes pulmonares, mobilidade diafragmática e tolerância ao exercício em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica. Bhatt, S., Luqman-Arafath, T., Gupta, A., Mohan, A., Stoltzfus, J., Dey, T., Nanda, S., & Guleria, R. (2013). Volitional pursed lips breathing in patients with stable chronic obstructive pulmonary disease improves exercise capacity. Chronic RespiratoryDisease, 10, 10 - 5. https://doi.org/10.1177/1479972312464 [Link do artigo]Bianchi, R., Gigliotti, F., Romagnoli, I., Lanini, B., Castellani, C., Grazzini, M., & Scano, G. (2004). Chest wall kinematics and breathlessness during pursed-lip breathing in patients with COPD.. Chest, 125 2, 459-65. https://doi.org/10.1378/chest.125.2.459 [Link do artigo]Cabral, L. F., D’Elia, T., Marins, D., Zin, W., & Guimarães, F. (2015). Pursed lip breathing improves exercise tolerance in COPD: a randomized crossover study.. European journal of physical and rehabilitation medicine, 51 1, 79-88. De Araujo, C. L. P., Karloh, M., Reis, C. M. D., Palú, M., & Mayer, A. (2015). Pursed-lips breathing reduces dynamic hyperinflation induced by activities of daily living test in patients with chronic obstructive pulmonary disease: A randomized cross-over study.. Journ [Link do artigo]Garrod, R., Dallimore, K., Cook, J., Davies, V., & Quade, K. (2005). An evaluation of the acute impact of pursed lips breathing on walking distance in nonspontaneous pursed lips breathing chronic obstructive pulmonary disease patients. Chronic RespiratoryDisease, 2, 67 - 72. https://doi.org/10.1191/1479972305cd068oa [Link do artigo]Garrod, R., & Mathieson, T. (2013). Pursed lips breathing. Chronic Respiratory Disease, 10, 3 - 4. https://doi.org/10.1177/1479972312472689 [Link do artigo]Hariyono, R., Santoso, S. D. R. P., Arsa, P. S. A., & Rozi, F. (2017). The Influence of Pursed Lip Breathing on Dyspnea, Oxygen Saturation and Activity Tolerance on COPD Patient:Systematic Review. https://doi.org/10.2991/inc-17.2017.15 [Link do artigo]Holland, A., Hill, C., Jones, A. Y. M., & McDonald, C. (2012). Breathing exercises for chronic obstructive pulmonary disease.. TheCochrane database of systematic reviews, 10, CD008250. https://doi.org/10.1002/14651858.cd008250.pub2 [Link do artigo]Huang, H., Da, J., Watson, R., Hayter, M., & Huang, M. (2024). Development and Validation of an Evidence-Based Home Pursed Lip Breathing Protocol for Improving Health Outcomes in Patients With Chronic Obstructive Pulmonary Disease.. Internationaljournal of older people nursing, 19 4, e12627. https://doi.org/10.1111/opn.12627 [Link do artigo]Huang, H., Liu, F., Mohammad, M., Watson, R., Hayter, M., Huang, M., & Li, Z. (2025). Digital gamification-based pursed lip breathing exercises driven by Behaviour Change Wheel in patients with COPD: a feasibility trial protocol using pre-post study design. BMJ Open, 15. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2024-090832 [Link do artigo]Jünger, C., Reimann, M., Krabbe, L., Gaede, K., Lange, C., Herzmann, C., & Rüller, S. (2020). Non-invasive ventilation with pursed lips breathing mode for patients with COPD and hypercapnic respiratory failure: A retrospective analysis. PLoS ONE, 15. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0238619 [Link do artigo]Maharem, T., Mohamed, A. M., & Almanzlawi, H. (2021). Acupressure versus Pursed Lip Breathing Techniques on Physiological Parameter and Dyspnea Grade among Patients with Chronic Obstructive Pulmonary Disease. Assiut Scientific Nursing Journal. https://doi.org/10.21608/asnj.2021.93356.1230 [Link do artigo]Mayer, A., Karloh, M., Santos, D. K., De Araujo, C. L. P., & Gulart, A. (2017). Effects of acute use of pursed-lips breathing during exercise in patients with COPD: a systematic review and meta-analysis.. Physiotherapy, 104 1, 9-17. https://doi.org/10.1016/j.physio.2017.08.007 [Link do artigo]Mendes, L. P. S., Moraes, K. S., Hoffman, M., Vieira, D., Ribeiro-Samora, G., Lage, S., Britto, R., & Parreira, V. (2018). Effects of Diaphragmatic Breathing With and Without Pursed-Lips Breathing in Subjects With COPD. Respiratory Care, 64, 136 - 144. https://doi.org/10.4187/respcare.06319 [Link do artigo]Mogera, N., & Sa, A. (2018). Evaluate the effectiveness of pursed lip breathing exercise on dyspnoea among chronic obstructive pulmonary disease (COPD) patients in selected hospitals of Mangalore and Karkala Taluk. International Journal of AdvancedScience and Research, 3, 55-60. Mohamed, S. A. (2019). The effects of positioning and pursed-lip breathing exercise on dyspnea and anxiety status in patients with chronic obstructive pulmonary disease. Journal of Nursing Education and Practice. https:/ [Link do artigo]Nield, M., Hoo, G. S. S., Roper, J., & Santiago, S. M. (2007). Efficacy of Pursed-Lips Breathing: A BREATHING PATTERN RETRAINING STRATEGY FOR DYSPNEA REDUCTION. Journal of Cardiopulmonary Rehabilitation and Prevention, 27, 237-244. https://doi.org/10.1097/01.hcr.0000281770.82652.cb [Link do artigo]Ningsih, A. D., Amin, M., & Bakar, A. (2018). The Effect of Walking Exercise and Pursed Lips Breathing on Signs and Symptoms of COPD Patients: A Systematic Review. https://doi.org/10.5220/0008324002870291 [Link do artigo]Patel, S. V., & Patel, K. (2025). Respiratory Rehabilitation and Clinical Outcomes in AECOPD. International Journal of CurrentResearch and Review. https://doi.org/10.31782/ijcrr.2025.171902 [Link do artigo]Riaz, H., Amjad, A., Mustafa, N., Asif, A. A., Tahiri, M. A., Ali, H., & Asim, B. (2024). IMPACT OF DIAPHRAGMATIC BREATHING WITH PURSE LIP BREATHING VERSUS PURSED-LIP BREATHING ALONE ON DYSPNEA AND EXERCISE CAPACITY AMONG COPD PATIENTS. Insights-Journal of Health and Rehabilitation. https://doi.org/10.71000/m66c1140 [Link do artigo]Roberts, S., Stern, M., Schreuder, F., & Watson, T. (2009). The use of pursed lips breathing in stable chronic obstructive pulmonary disease: a systematic review of the evidence. Physical Therapy Reviews, 14, 240 - 246. https://doi.org/10.1179/174328809x452908 [Link do artigo]Soimun, S., & Retnaningsih, D. (2025). Penerapan Teknik Tripod Position dan Pursed Lip Breathing terhadap Kenaikan Saturasi Oksigen pada Pasien Sesak di IGD RSUD Limpung. Jurnal Mahasiswa Ilmu Kesehatan. https://doi.org/10.59841/jumkes.v3i4.3334 [Link do artigo]Spahija, J., De Marchie, M., & Grassino, A. (2005). Effects of imposed pursed-lips breathing on respiratory mechanics and dyspnea at rest and during exercise in COPD.. Chest, 128 2, 640-50. https://doi.org/10.1378/chest.128.2.640 [Link do artigo]Spahija, J., Marchie, M. D., Ghezzo, H., & Grassino, A. (2010). Factors Discriminating Spontaneous Pursed-Lips Breathing Use in Patients with COPD. COPD: Journal of Chronic Obstructive Pulmonary Disease, 7, 254 - 261. https://doi.org/10.3109/15412555.2010.496820 [Link do artigo]Supardi, E., Handayani, D. E., Sariama, S., & Astuti, A. (2023). penerapan pursed lip breathing dalam pemenuhan kebutuhan oksigen (pola napas tidak efektif) pada pasien PPOK. Jawara : Jurnal Ilmiah Keperawatan. https://doi.org/10.62870/jik.v4i3.22077 [Link do artigo]Ubolnuar, N., Tantisuwat, A., Thaveeratitham, P., Lertmaharit, S., Kruapanich, C., & Mathiyakom, W. (2019). Effects of Breathing Exercises in Patients With Chronic Obstructive Pulmonary Disease: Systematic Review and Meta-Analysis. Annals ofRehabilitation Medicine, 43, 509 - 523. https://doi.org/10.5535/arm.2019.43.4.509 [Link do artigo]Yang, Y., Wei, L., Wang, S., Ke, L., Zhao, H., Mao, J., Li, J., & Mao, Z. (2020). The effects of pursed lip breathing combined with diaphragmatic breathing on pulmonary function and exercise capacity in patients with COPD: a systematic review and meta- analysis. Physiotherapy Theory and Practice, 38, 847 - 857. https://doi.org/10.1080/09593985.2020.1805834 [Link do artigo]