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Próstata: treino de assoalho pélvico

Próstata e assoalho pélvico: recuperar controle também é recuperar confiança Se você passou por tratamento para a próstata, convive com escapes de urina, u

Publicado em 17 de setembro de 2026

Próstata: treino de assoalho pélvico

Próstata e assoalho pélvico: recuperar controle também é recuperar confiança Se você passou por tratamento para a próstata, convive com escapes de urina, urgência para ir ao banheiro, sensação de fraqueza ou medo de se movimentar, saiba: isso é mais comum do que parece — e não é “falta de força de vontade”. A próstata fica muito próxima da bexiga, da uretra e dos músculos do assoalho pélvico, que funcionam como uma rede de sustentação e controle. Esses músculos ajudam a fechar a uretra, coordenar a micção e dar suporte à região pélvica. Após tratamentos prostáticos ou durante terapias hormonais, o corpo pode mudar: há alterações de força, coordenação, massa muscular, fadiga e confiança no movimento. O treino bem orientado melhora a capacidade do sistema nervoso de “encontrar” esses músculos, aumenta a eficiência da contração, melhora resistência e coordenação com a respiração e, no caso do treino de força global, ajuda o corpo a enfrentar perdas musculares associadas ao tratamento. Em reabilitação, não buscamos apenas “apertar músculos”: buscamos recuperar controle, segurança e função. O que a Ciência Comprova? A reabilitação combina controle do assoalho pélvico com fortalecimento global. Em homens em terapia hormonal, o treino resistido supervisionado tem evidência mais consistente para melhorar força e função. Estudos recentes em homens com câncer de próstata, especialmente aqueles em terapia de privação androgênica, indicam que o exercício supervisionado — principalmente o treino resistido — é uma ferramenta importante para preservar força, função física e composição corporal. A evidência específica apresentada é mais forte para treino de força global do que para treino isolado de assoalho pélvico; ainda assim, ela reforça um princípio central da reabilitação: músculos treinados com progressão, supervisão e regularidade tendem a responder melhor. Força muscular é o achado mais consistente. Revisões e meta-análises mostram que o treino supervisionado melhora a força de membros superiores e inferiores em homens durante ou após terapia de privação androgênica, com resultados consistentes em estudos como Chen et al. (2019), Gardner et al. (2014), Lopez et al. (2023) e Newton et al. (2020). Isso importa porque mais força pode facilitar tarefas como levantar da cadeira, subir escadas e caminhar com mais segurança. Massa muscular e composição corporal podem melhorar, mas de forma mais modesta. A terapia hormonal pode favorecer perda de massa magra e aumento de gordura corporal. Estudos como Shao et al. (2022), Lopez et al. (2023), Houben et al. (2022) e Yang et al. (2023) sugerem que o exercício ajuda a preservar ou aumentar discretamente a massa magra e a reduzir medidas relacionadas à gordura corporal, embora os resultados não sejam uniformes em todos os estudos. Começar cedo e treinar com supervisão parece fazer diferença. Newton et al. (2020) observaram melhores respostas funcionais quando o exercício começou junto ao início da terapia hormonal, em comparação com atraso no início. Outros trabalhos apontam que programas supervisionados tendem a gerar ganhos mais consistentes do que abordagens exclusivamente domiciliares, como sugerem Lopez et al. (2023), Lam et al. (2020) e Rantaniemi et al. (2025). Os ossos exigem atenção especial. A terapia de privação androgênica está associada à perda de densidade mineral óssea, principalmente no primeiro ano. Revisões como Bressi et al. (2020), Cagliari et al. (2021) e Shao et al. (2022) indicam que o treino resistido isolado não preserva a densidade óssea de forma confiável; os sinais mais promissores aparecem quando há combinação com exercícios de impacto ou carga apropriada. A prevenção de fraturas, porém, ainda não foi comprovada diretamente nesses estudos. Fadiga e qualidade de vida também entram na reabilitação. Programas combinando exercícios aeróbicos e resistidos parecem ajudar mais a fadiga do que o treino resistido isolado, segundo Núñez et al. (2024) e Liu et al. (2026). Revisões como Yuan et al. (2023) também sugerem melhora modesta na qualidade de vida, reforçando que reabilitação não é só músculo: é energia, autonomia e participação na vida diária. Dicas Práticas O primeiro passo é aprender a contrair e relaxar sem prender a respiração ou fazer força para baixo. Dor, tontura, falta de ar incomum ou piora dos sintomas pedem pausa e ajuste com orientação profissional. Comece pelo controle, não pela força bruta. No assoalho pélvico, o primeiro passo é aprender a contrair e relaxar corretamente, sem prender a respiração, sem contrair glúteos em excesso e sem fazer força para baixo. Treine com orientação. Um fisioterapeuta pode avaliar se você está ativando os músculos certos, ajustar a intensidade e combinar treino de assoalho pélvico com fortalecimento global, equilíbrio e condicionamento. Pense no corpo inteiro. Para homens em terapia hormonal, a evidência favorece treino resistido progressivo, frequentemente supervisionado, envolvendo grandes grupos musculares. Isso pode complementar o trabalho pélvico ao melhorar força, mobilidade e tolerância ao esforço. Regularidade importa. Estudos de exercício em homens com câncer de próstata frequentemente utilizam programas estruturados, com sessões repetidas ao longo da semana e progressão gradual. O melhor plano é aquele que você consegue manter com segurança e boa técnica. Se houver dor, tontura, falta de ar incomum ou piora dos sintomas, pare e ajuste. Exercício terapêutico não deve ser uma batalha contra o corpo. Ele deve ser uma conversa bem conduzida com o seu sistema muscular e nervoso. Condições como osteoporose, metástases ósseas, dor importante ou limitações cardiovasculares exigem individualização. Nesses casos, a escolha dos exercícios, cargas e posições deve ser feita com ainda mais cuidado. Consulte seu Fisioterapeuta. Quer aprender a cuidar melhor do seu corpo depois de um tratamento de próstata? Siga @revalidatie_londrina para receber orientações de reabilitação, movimento e saúde em linguagem simples, segura e baseada em ciência. 📚 Referências Científicas Utilizadas: Bressi, B., Cagliari, M., Contesini, M., Mazzini, E., Bergamaschi, F., Moscato, A., Bassi, M., & Costi, S. (2020). Physical exercise for bone health in men with prostate cancer receiving androgen deprivation therapy: a systematic review. Supportive Care in Cancer, 29, 1811 - 1824. https://doi.org/10.1007/s00520-020-05830-1 [Link do artigo]Cagliari, M., Bressi, B., Bassi, M., Fugazzaro, S., Prati, G., Iotti, C., & Costi, S. (2021). Feasibility and Safety of Physical Exercise to Preserve Bone Health in Men With Prostate Cancer Receiving Androgen Deprivation Therapy: A Systematic Review. Physical Therapy, 102. https://doi.org/10.1093/ptj/pzab288 [Link do artigo]Chen, Z., Zhang, Y., Lu, C.-Y., Zeng, H., Schumann, M., & Cheng, S. (2019). Supervised Physical Training Enhances Muscle Strength but Not Muscle Mass in Prostate Cancer Patients Undergoing Androgen Deprivation Therapy: A Systematic Review and Meta-Analysis. Frontiers in Physiology, 10. https://doi.org/10.3389/fphys.2019.00843 [Link do artigo]Dawson, J. K., Dorff, T., Schroeder, E., Lane, C., Gross, M., & Dieli-Conwright, C. (2018). Impact of resistance training on body composition and metabolic syndrome variables during androgen deprivation therapy for prostate cancer: a pilot randomized controlled trial. BMC Cancer, 18. https://doi.org/10.1186/s12885-018-4306-9 [Link do artigo]Gardner, J., Livingston, P., & Fraser, S. (2014). 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Journal of geriatric oncology, 14 5, 101535. https://doi.org/10.1016/j.jgo.2023.101535 [Link do artigo]Newton, R., Galvão, D., Spry, N., Joseph, D., Chambers, S., Gardiner, R., Hayne, D., & Taaffe, D. (2020). Timing of exercise for muscle strength and physical function in men initiating ADT for prostate cancer. Prostate Cancer and Prostatic Diseases, 23, 457 - 464. https://doi.org/10.1038/s41391-019-0200-z [Link do artigo]Núñez, M. J., Heredia Ciuró, A., Mateo, C. A., Ortiz Rubio, A., Peña, G. V., Raya Benítez, J., & Valenza, M. (2024). Effectiveness of supervised combined aerobic and resistance exercise in fatigue of prostate cancer survivors under androgen deprivation therapy: a systematic review and meta-analysis. Oncologie, 26, 929 - 939. https://doi.org/10.1515/oncologie-2024-0242 [Link do artigo]Rantaniemi, L., Jussila, I., Siltari, A., Ahtiainen, J. P., Hakulinen, A., Harju, E., Sormunen, J., Nordström, T., Tammela, T. L. J., & Murtola, T. (2025). Is Exercise During Androgen Deprivation Therapy Effective and Safe? A Randomized Controlled Trial. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, 35. https://doi.org/10.1111/sms.70084 [Link do artigo]Shao, W., Zhang, H.-L., Qi, H., & Zhang, Y.-M. (2022). The effects of exercise on body composition of prostate cancer patients receiving androgen deprivation therapy: An update systematic review and meta-analysis. PLoS ONE, 17. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0263918 [Link do artigo]Soler-López, A., Gómez-Carmona, C., González-Devesa, D., López-Plaza, D., Herrero-Vidal, L., Toledo-Pozuelo, R., González-Costea, A., & Cao-Avellaneda, E. (2026). Standardized Program of Resistance Training for Prostate Cancer Patients Receiving Androgen Deprivation Therapy (SPoRT-PCa-ADT): study protocol for a randomized controlled trial. BMC Cancer, 26. https://doi.org/10.1186/s12885-026-15902-w [Link do artigo]Toohey, K., Hunter, M., Paterson, C., Mortazavi, R., & Singh, B. (2022). Exercise Adherence in Men with Prostate Cancer Undergoing Androgen Deprivation Therapy: A Systematic Review and Meta-Analysis. Cancers, 14. https://doi.org/10.3390/cancers14102452 [Link do artigo]Via, J. D., Owen, P. J., Daly, R., Mundell, N., Livingston, P., Rantalainen, T., Foulkes, S., Millar, J., Murphy, D., & Fraser, S. (2021). Musculoskeletal Responses to Exercise Plus Nutrition in Men with Prostate Cancer on Androgen Deprivation: A 12-Month RCT. Medicine & Science in Sports & Exercise, 53, 2054 - 2065. https://doi.org/10.1249/mss.0000000000002682 [Link do artigo]Yang, U., Harikrishna, A., Preda, V., & Chen, J. (2023). Efficacy of multidisciplinary interventions in preventing metabolic syndrome and improving body composition in prostate cancer patients treated with androgen deprivation therapy: A systematic review and meta-analysis.. 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