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DM1 e DM2 no exercício: diferenças no risco de hipoglicemia, hiperglicemia e monitorização

Exercício com diabetes: por que DM1 e DM2 não se comportam igual? Você já ficou inseguro para caminhar, pedalar ou fazer musculação por medo da glicose “de

Publicado em 09 de julho de 2026

DM1 e DM2 no exercício: diferenças no risco de hipoglicemia, hiperglicemia e monitorização

Exercício com diabetes: por que DM1 e DM2 não se comportam igual? Você já ficou inseguro para caminhar, pedalar ou fazer musculação por medo da glicose “despencar” ou subir demais? Essa preocupação é real — e faz sentido. Durante o exercício, os músculos passam a usar mais glicose como combustível. Em pessoas sem diabetes, o corpo ajusta rapidamente a insulina e outros hormônios para equilibrar a glicose que entra no músculo e a glicose liberada pelo fígado. No diabetes tipo 1 (DM1), como a insulina aplicada não “desliga” de uma hora para outra, especialmente no exercício aeróbico, pode haver queda importante da glicose durante e depois da atividade. Já no diabetes tipo 2 (DM2), o exercício costuma ajudar porque melhora a sensibilidade à insulina e facilita a entrada de glicose no músculo; por isso, o risco de hipoglicemia geralmente é menor, mas pode aumentar dependendo dos medicamentos usados. Também existe o outro lado: exercícios muito intensos, anaeróbicos ou intervalados podem ativar hormônios de estresse, como adrenalina, fazendo o fígado liberar mais glicose. No DM1, isso pode causar elevação transitória da glicose; e, se houver falta de insulina suficiente, a hiperglicemia pode vir acompanhada de risco de cetose. Por isso, a pergunta não é apenas “posso fazer exercício?”, mas sim “qual exercício, em qual momento, com qual glicose inicial, com quanta insulina circulando e com qual monitorização?”. O que a Ciência Comprova? No DM1, a glicose pode cair durante e depois do exercício aeróbico, especialmente quando ainda há insulina ativa. Estudos recentes mostram que a comparação entre DM1 e DM2 é assimétrica: há muito mais evidência específica sobre variações glicêmicas no exercício em pessoas com DM1. Ainda assim, o padrão geral é claro: no DM1, a principal preocupação é a hipoglicemia durante e após o exercício, especialmente no aeróbico; no DM2, o exercício tende a melhorar o controle glicêmico e a resistência à insulina, com risco agudo de hipoglicemia mais dependente do tratamento utilizado. No DM1, o exercício aeróbico costuma baixar mais a glicose. A literatura aponta que atividades aeróbicas frequentemente reduzem a glicemia e aumentam o risco de hipoglicemia durante e após o exercício, inclusive no período noturno (Riddell et al., 2017; Lopez et al., 2023; Zivkovic et al., 2026). O risco no DM1 depende muito do “ponto de partida”. Glicose inicial, tendência no monitor contínuo de glicose e quantidade de insulina ativa no corpo antes do exercício influenciam fortemente o risco de hipoglicemia (Bergford et al., 2023; Dhaliwal et al., 2025; Lopez et al., 2023). Em adolescentes com DM1, um estudo observou menor risco composto quando a glicose inicial estava entre 130–160 mg/dL e a tendência da CGM estava quase plana (Bergford et al., 2024). Nem todo exercício mexe na glicose do mesmo jeito. Exercícios de resistência, HIIT ou atividades mais anaeróbicas podem gerar maior estabilidade glicêmica ou elevação transitória no DM1, enquanto o aeróbico tende a produzir maior queda (Fitzpatrick et al., 2022; Mazzeo et al., 2026; Zivkovic et al., 2026). A hiperglicemia também importa no DM1. Exercício intenso ou anaeróbico pode elevar a glicose temporariamente. Além disso, reduções excessivas ou omissão de insulina podem favorecer hiperglicemia e cetose durante o exercício, um cenário diferente da hipoglicemia típica do exercício aeróbico (Riddell et al., 2017; Mazzeo et al., 2026). No DM2, o foco costuma ser o benefício metabólico, com cautela individual. A atividade física melhora o controle glicêmico e a resistência à insulina, e o risco de hipoglicemia parece, em geral, menor do que no DM1. Porém, esse risco pode aumentar conforme a medicação em uso, reforçando a necessidade de prescrição individualizada (Colberg et al., 2016; Lewis et al., 2025; Dądela et al., 2025). Dicas Práticas Antes de treinar, avalie tendência da glicose, insulina ativa, última refeição, duração e tipo de exercício. Se você tem DM1, monitore mais de perto. Quando disponível, use a CGM antes, durante e após o exercício, observando não só o número, mas também a tendência da glicose. A vigilância após o treino e à noite pode ser importante, especialmente depois de exercícios aeróbicos. Considere o tipo de exercício. Caminhada, corrida leve e pedaladas contínuas tendem a reduzir mais a glicose no DM1. Treinos de força, resistência ou intervalados podem ter resposta diferente, às vezes com maior estabilidade ou subida transitória da glicose. Não olhe apenas para a glicose do momento. Pense também em quando foi a última refeição, se há insulina ativa, qual será a duração do treino e se a glicose está subindo, caindo ou estável. Se você tem DM2, o exercício é um grande aliado. O movimento regular ajuda o músculo a usar melhor a glicose e melhora a sensibilidade à insulina. Mesmo assim, se você usa medicamentos associados a hipoglicemia, a monitorização deve ser personalizada. Evite improvisar ajustes de insulina ou medicação por conta própria. O treino deve ser planejado com segurança. Consulte seu Fisioterapeuta para organizar tipo, intensidade e progressão do exercício; mudanças em medicamentos ou insulina devem seguir a orientação do profissional responsável pelo seu tratamento do diabetes. Quer aprender a treinar com mais segurança e confiança? Siga @revalidatie_londrina para receber orientações práticas sobre exercício, reabilitação e saúde metabólica. E lembre-se: consulte seu Fisioterapeuta para adaptar o treino à sua realidade. 📚 Referências Científicas Utilizadas: Armstrong, M., Colberg, S., & Sigal, R. J. (2023). Where to Start? Physical Assessment, Readiness, and Exercise Recommendations for People With Type 1 or Type 2 Diabetes.. Diabetes spectrum : a publication of the American Diabetes Association, 36 2, 105-113. https://doi.org/10.2337/dsi22-0016 [Link do artigo]Bergford, S., Riddell, M., Jacobs, P., Li, Z., Gal, R., Clements, M., Doyle, F. J., Martin, C. K., Patton, S., Castle, J. R., Gillingham, M., Beck, R., Rickels, M., & Calhoun, P. (2023). The Type 1 Diabetes and EXercise Initiative: Predicting Hypoglycemia Risk During Exercise for Participants with Type 1 Diabetes Using Repeated Measures Random Forest. Diabetes Technology & Therapeutics, 25, 602 - 611. https://doi.org/10.1089/dia.2023.0140 [Link do artigo]Bergford, S., Riddell, M. C., Gal, R. L., Patton, S. R., Clements, M., Sherr, J., & Calhoun, P. (2024). Predicting Hypoglycemia and Hyperglycemia Risk During and After Activity for Adolescents with Type 1 Diabetes. Diabetes Technology & Therapeutics, 26, 728 - 738. https://doi.org/10.1089/dia.2024.0061 [Link do artigo]Resistência/HIIT costuma dar mais estabilidade glicémica ou elevação transitória no DM1 (Fitzpatrick et al., 2022). Em adolescentes com DM1, o menor risco composto ocorreu com glicose inicial 130–160 mg/dL e tendência quase plana na CGM (Bergford et al., 2024). Evidência sobre hora do dia e hiperglicemia no DM1 é mista (Fitzpatrick et al., 2022).• Colberg, S., Sigal, R., Yardley, J., Riddell, M., Dunstan, D., Dempsey, P., Horton, E., Castorino, K., & Tate, D. (2016). Physical Activity/Exercise a [Link do artigo]Dądela, B., Gnitecki, S., Jasińska, J., Janczura, S., Majewska, E., Śliwa, N., Markowski, M., Zielonka, K., Kawalska, E., & Borowski, M. (2025). The Role of Physical Activity in Diabetes Management: Benefits, Risks, and Recommendations - review. Quality in Sport. https://doi.org/10.12775/qs.2025.40.59722 [Link do artigo]Dhaliwal, M. P., Tang, K., Aiello, E. M., Zaharieva, D. P., Lal, R. A., Summers, C., Arbiter, B., Watson, K., Connolly, M., Figg, L. E., Balistreri, I., Cortes, A. L., Kingman, R. S., Suh, B., Riddell, M. C., & Qin, Y. (2025). Variation in Hypoglycemia Risk During Real-World Physical Activity in Adults with Type 1 Diabetes: Insights from the Type 1 Diabetes Exercise Initiative. Diabetes technology & therapeutics, 28, 428 - 443. https://doi.org/10.1177/15209156251400209 [Link do artigo]Fitzpatrick, R., Davison, G., Wilson, J. J., McMahon, G., & McClean, C. (2022). Exercise, type 1 diabetes mellitus and blood glucose: The implications of exercise timing. Frontiers in Endocrinology, 13. https://doi.org/10.3389/fendo.2022.1021800 [Link do artigo]Lewis, C., Rafi, E., Dobbs, B. N., Barton, T., Hatipoglu, B., & Malin, S. K. (2025). Tailoring Exercise Prescription for Effective Diabetes Glucose Management.. The Journal of clinical endocrinology and metabolism. https://doi.org/10.1210/clinem/dgae908 [Link do artigo]Lopez, C. M., Ramsey, K., Roquemen-Echeverri, V., & Jacobs, P. (2023). Modeling risk of hypoglycemia during and following physical activity in people with type 1 diabetes using explainable mixed-effects machine learning. Computers in biology and medicine, 155, 106670. https://doi.org/10.1016/j.compbiomed.2023.106670 [Link do artigo]Mazzeo, F., Ferrara, G., Moscatelli, F., Monda, A., Messina, A., Ruberto, M., Mancini, N., Cincione, R., Russo, G., Allocca, S., La Marra, M., Perrone, P., Di Maio, G., Casillo, M., Messina, G., Ruggiero, M., Tafuri, M. G., & Monda, V. (2026). Exercise-Related Glycemic Fluctuations in Type 1 Diabetes: Mechanisms and Integrated Insulin– Carbohydrate Strategies in the Context of Diabetes Technologies. Endocrines. https://doi.org/10.3390/endocrines7020022 [Link do artigo]Przybysz, P., Kucharska, M., Kruszewski, A., Szyszka, M., Kwiliński, K., Paduszyńska, N., Dąbrowska, A., Błaszczak, K., & Wawrzyńska, B. (2024). Optimizing Physical Activity for Glycemic Control in Type 1 Diabetes: Strategies and Risks. Quality in Sport. https://doi.org/10.12775/qs.2024.19.54103 [Link do artigo]Riddell, M., Gallen, I., Smart, C., Taplin, C., Adolfsson, P., Lumb, A., Kowalski, A. J., Rabasa ‐ Lhoret, R., McCrimmon, R., Hume, C., Annan, F., Fournier, P., Graham, C., Bode, B., Galassetti, P., Jones, T., Millán, I. S., Heise, T., Peters, A., . . . Laffel, L. M. (2017). Exercise management in type 1 diabetes: a consensus statement.. The lancet. Diabetes & endocrinology, 5 5, 377-390. https://doi.org/10.1016/s2213-8587(17)30014-1 [Link do artigo]Riddell, M., & Peters, A. (2022). Exercise in adults with type 1 diabetes mellitus. Nature Reviews Endocrinology, 19, 98-111. https://doi.org/10.1038/s41574-022-00756-6 [Link do artigo]Zivkovic, J., Mitter, M., Theodorou, D., Moser, O., & Glatzer, T. (2026). Exercise in type 1 diabetes: real-world data on glucose levels and hypoglycaemia risk from over 420,000 exercise sessions. Diabetologia, 69, 1457 - 1467. https://doi.org/10.1007/s00125-026-06672-y [Link do artigo]